Outrora considerada uma doença resultante de maus hábitos – “comer muito e mexer pouco”.
A Obesidade é atualmente considerada uma doença crónica e recidivante, com múltiplas causas, nomeadamente fatores genéticos, hormonais (que regulam o apetite e a saciedade) e ambientais.
É reconhecida como um dos principais problemas de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde, devido à sua elevada prevalência e às múltiplas doenças associadas.
Em 2020, existiam cerca de 988 milhões de pessoas com obesidade em todo o mundo, e prevê-se um aumento progressivo deste número em todas as faixas etárias – crianças, adolescentes e adultos. Em Portugal, mais de metade da população adulta apresenta excesso de peso (67,6%), sendo uma parte significativa já classificada como obesa (28,7%).
A obesidade infantil também tem vindo a crescer, aumentando o risco de doenças crónicas precoces e de manutenção da obesidade na idade adulta.
A obesidade é definida como uma doença crónica complexa, onde a gordura corporal anormal ou excessiva (adiposidade) compromete a saúde, aumenta o risco de complicações a longo prazo e reduz a esperança de vida. Não é, portanto, limitada ao valor do IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou superior a 30 kg/m².
No entanto, ainda é utilizado, bem como outros parâmetros para quantificar esse excesso de adiposidade.
Esta doença complexa na sua etiologia, tem associadas várias outras doenças crónicas que aumentam diretamente o risco de mortalidade, nomeadamente o risco de eventos cardio e cerebrovasculares como o Acidente Vascular Cerebral, Doença Arterial e a Insuficiência Cardíaca.
Para além destas doenças, é clara a ligação a outras tais como a Diabetes Mellitus, a Hipertensão Arterial, a Doença Renal Crónica e Doença Hepática, o Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono, doenças musculoesqueléticas, em particular a osteoartrose do joelho, Infertilidade, e doenças oncológicas de vários orgãos. Uma pessoa com obesidade tem, à partida, uma redução de 7 anos na esperança média de vida!
No entanto, as consequências desta doença são igualmente visíveis na redução da qualidade de vida, na incapacidade de executar tarefas simples como apertar os cordões dos sapatos ou brincar com um filho.
Também por isso, está frequentemente associada a doença mental como depressão, ansiedade, associada a uma baixa-autoestima e ao estigma que ainda lhe está associado, pelos pares e família – estudos demonstram que as pessoas obesas são erradamente consideradas mais preguiçosas, desleixadas e menos competentes, bem como responsabilizadas pela sua condição.
Multifactorial e complexa que é a origem desta patologia, implica uma equipa multidisciplinar no seu tratamento, que se prevê crónico, tal como a doença o é. O objetivo será sempre uma perda de peso progressiva, de forma personalizada, equilibrada e sustentada no tempo. O facto de ser uma doença crónica, tem implícito o risco de haver reganho de peso nalgumas circunstâncias, daí a necessidade de manter um acompanhamento a longo prazo.
Os últimos anos permitiram avanços significativos em termos de opções terapêuticas e temos, atualmente, disponíveis fármacos seguros e eficazes, capazes de tratar esta doença. Ainda assim, nalguns casos mais complexos, a melhor opção terapêutica poderá passar pela cirurgia bariátrica.
No entanto, em todos, deverá haver uma avaliação e seguimento por uma equipa constituída por médicos, psicólogos e nutricionistas, que poderão ser encontrados neste hospital. Para além destes profissionais, o seguimento por um profissional do desporto mostra-se essencial em todo este processo.
Por tudo isto, a gestão desta doença deverá focar-se nos ganhos em saúde e não apenas num dos objetivos que é a perda de peso.
Equipa Multidisciplinar de Obesidade do São Mateus Hospital


